domingo, 24 de agosto de 2014

Zoológico da Capital ainda não tem data para ser reaberto

LAZER
Zoológico da Capital ainda não tem data para ser reaberto
A última vistoria no local foi feita em abril e o relatório enviado à sede nacional do Ibama, onde será julgado se o acesso ao espaço poderá ser liberado. Zoológico está interditado desde novembro do ano passado
Lucas Mota
23-08-2014 17:00
No portão do zoológico, permanece indicado o horário de funcionamento. Espaço está interditado desde novembro de 2013
Interditado desde novembro de 2013, o Zoológico Municipal Sargento Prata, no Passaré, continua com os portões fechados, sem previsão para reabertura. A interdição foi realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após vistoria no local. O órgão constatou irregularidades estruturais e documentais, como ausência de licenciamento e autorização de manejo de fauna. A Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), responsável pelo local, informou que todas as medidas solicitadas já foram cumpridas.

Em abril deste ano, o Ibama realizou uma nova vistoria no espaço. Conforme a Emlurb, na época, o órgão municipal já havia tomado todas as medidas, entre elas, a contratação de veterinário, biólogo e zootecnista. O Município espera os resultados do relatório da vistoria para reabrir o espaço.

Apesar de a Emlurb afirmar ter cumprido todas as solicitações, o coordenador de fiscalização do Ibama, Miller Holanda Câmara, disse ao O POVO que, na última vistoria, o relatório ainda apresentou pendências. “Na parte documental, o licenciamento ambiental foi apresentado. Já tinham apresentado também os profissionais, mas faltava o registro do conselho de cada profissão. Na parte estrutural, precisa de uma reforma e readequação aos acessos das áreas de quarentena”, cita.

De acordo com o coordenador, o relatório foi enviado à sede nacional do Ibama, em Brasília, onde será avaliado - o que não tem data para acontecer. “Nós recomendamos, em nosso relatório, que (a sede do Ibama em) Brasília abrisse mais um prazo de um ano para a manutenção do espaço. Eles (o Ibama) podem solicitar uma nova vistoria a qualquer momento”, diz Miller. Segundo a Emlurb, o órgão não recebeu nenhum retorno sobre o relatório desde a última vistoria, em abril.

Frequentadores
Quem costumava frequentar o zoológico da Capital espera a liberação do local. O zelador Antônio Luiz Nascimento, 61, que mora em frente ao Sargento Prata, sente saudades de quando a avenida Prudente Brasil ficava movimentada com as visitas ao zoológico. “Sempre tinha gente aqui, era cheio de crianças. Torço para que isso volte a funcionar, mas com mais segurança. Estava muito inseguro e perigoso”, diz.

Moradora do Passaré, a cabeleireira Edlane Silveira, 31, costumava levar a filha ao zoológico. Quando ele for reaberto, espera que esteja mais seguro. “É legal aí dentro. Mas os animais estavam sujos e alguns apresentavam ferimentos, e o local era inseguro”, comenta

Esgoto clandestino deixa área imprópria para banho


Mesmo com o esgoto clandestino sendo jogado ao mar da Praia de Iracema, próximo ao espigão da João Cordeiro, alguns banhistas ainda se aventuraram a entrar na água na manhã de ontem. A placa de balneabilidade - localizada no calçadão da Beira Mar - indicava erroneamente o local como próprio para banho.
Conforme a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), responsável pelo relatório de balneabilidade das praias cearenses, os postos 19 e 20 (entre os espigões da rua João Cordeiro e da avenida Rui Barbosa e do Aquário até o espigão da João Cordeiro) estão impróprios para banho. A pasta informou que as placas seriam trocadas ainda ontem. No relatório anterior, trechos eram considerados próprios.
É considerada imprópria a área que apresenta, nas amostras obtidas, uma quantidade de coliformes superior a 2.500 por 100 ml. Segundo o gerente de análise e monitoramento da Semace, Lincoln Davi Mendes, além das amostras, pontos visíveis são suficientes para indicar um local como impróprio. “Se nas redondezas existir a presença de animais, floração de alga ou esgoto, o local já pode ser considerado impróprio como medida de precaução”.
Lincoln Davi alerta que os banhistas devem evitar o contato com a água de lugares considerados impróprios. “Pode ocasionar problemas de pele e quem ingerir essa água pode ter problemas no sistema digestivo, principalmente crianças e idosos”.

Esgoto clandestino
Desde o início da semana, segundo relatos de moradores, uma galeria de drenagem pluvial - por onde deveria passar apenas água da chuva - está jogando esgoto no mar da Praia de Iracema. Na manhã de ontem, técnicos da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e da Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) estiveram no local em busca de identificar a rede clandestina e de onde vem o material poluído. Uma retroescavadeira desobstruiu a galeria de drenagem pluvial danificada para que a tubulação pudesse ser analisada.

De acordo com o diretor de operação da Cagece, Josineto Araújo, durante a madrugada de ontem, foram abertas todas as redes de esgotamento sanitário da Companhia localizadas no trecho da avenida Beira Mar. Não foi identificada nenhuma fuga de esgoto para galerias. O órgão ainda realizará o mesmo trabalho em uma faixa mais afastada.
O trabalho para identificação do problema é realizado em conjunto entre Cagece e Prefeitura. “Não identificamos nenhum vazamento de esgoto para galeria. Solicitei a ajuda da Prefeitura para que ela possa abrir as bocas de lobo para tentar identificar de onde vem o problema. O problema pode não ter nada relacionado à Prefeitura e Cagece. Algum imóvel pode estar jogando, indevidamente, essa água dentro da galeria. O contato (da água) com o lixo vindo para cá resulta nesse mau cheiro”, explica Josineto. Caso seja identificado algum ponto inerente aos órgãos, a Prefeitura buscará identificar o responsável para notificação.
Saiba mais
O problema ocorre devido a ligações clandestinas às redes pluviais que acabam recebendo esgotos residuais e industriais.
O sistema não é preparado para receber esse tipo de material, já que não possui tratamento de efluentes, diferente da rede de esgotamento sanitário.

Na última quinta-feira, 21, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma notificação à Autarquia de Regulação, Fiscalização e Controle dos Serviços Públicos de Saneamento Ambiental (Acfor), da Prefeitura de Fortaleza, e à Cagece.

Até a tarde de ontem, a Companhia não havia sido notificada. O órgão municipal já recebeu o ofício de notificação.
Para entender
Rede de esgotamento sanitário: preparada para receber esgoto de residência e indústria. No final do tratamento dessa rede, a água é levada para a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).
Galeria pluvial: não está preparada para receber esgoto. Utilizada para a passagem da água da chuva. Teoricamente, a rede recebe água limpa e não possui sistema de tratamento de efluentes.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

DESCASO - Passeio Público é um dos patrimônios históricos, culturais e afetivos de Fortaleza.

Diariamente a Praça dos Mártires - conhecida como Passeio Público, situada no Centro - recebe pessoas que procuram um lugar para descansar, relaxar e curtir a paisagem natural e bucólica do local. Após revitalização em 2007, o equipamento, antes esquecido, voltou a ser frequentado. Sete anos depois, frequentadores do parque admitem as melhorias da reforma, mas reclamam da manutenção e segurança da área. A Secretaria Regional do Centro (Sercefor) e a Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb) garantem que o espaço conta com dois garis (de segunda-feira à sábado), das 9h às 17h, para realizar a limpeza praça. Além disso, os órgãos informam que a manutenção dos jardins é realizada periodicamente em todas as praças de Fortaleza.
Porém, quem circula no local pode perceber um cenário de descuido com plantas secas, grama alta, folhas espalhadas pelo chão e jardim, e o tanque de peixes sujo. O casal de namorados Erlon Ribeiro, 20 anos, e Karine Souza, 21 anos, costuma parar no Passeio Público para namorar e se refrescar tomando sorvete. “É muito bom aqui, está bonito. Mas estou preocupado com a manutenção. Isso precisa melhorar. Além disso, em alguns horários, o parque fica perigoso. Hoje, por exemplo, a cabine da Guarda Municipal está fechada”, conta o jovem. Enquanto O POVO esteve no local, dois policiais militares faziam a segurança da área.

O comerciante Ezaú Morais, 25 anos, gosta de sentar em um banco do parque, relaxar e conferir o visual de frente para o mar que o Passeio Público oferece. Apesar de curtir o espaço, ele não está satisfeito com a preservação da área verde do local. “É um ótimo lugar para dar uma relaxada. Com relação à segurança, sempre vejo policiais. Porém, em termo de manutenção, eu daria nota 5. O tempo está seco, mas vejo que em outras praças há pessoas cuidando. Aqui também tem, mas sem a mesma frequência”, diz Ezaú. Conforme a Emlurb, na próxima semana, está programado um serviço de poda das árvores na Praça dos Mártires.

Segurança
Segundo o comandante da Área Integrada de Segurança (AIS) I, responsável pelo patrulhamento do Centro, tenente-coronel Francisco Souto, quatro viaturas realizam a ronda na região e dois policiais ficam 24h no Passeio Público. A Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Sesec) informou à reportagem que a Guarda Municipal atua no local com dois servidores fixos, em dias alternados, e com o Pelotão do Ciclopatrulhamento que faz a ronda no equipamento e em outros espaços públicos do Centro e da Praia de Iracema.

Mais antiga e arborizada praça de Fortaleza, o Passeio Público é um dos patrimônios históricos, culturais e afetivos de Fortaleza. É tombado pelos três poderes (municipal, estadual e federal). A Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza é responsável por sua programação cultural.

Salas de dança viram depósito de "inutilizados" em escolas públicas


Ao buscar informações sobre o Dançando na Escola na página da Prefeitura de Fortaleza na internet, a mensagem encontrada é: “Não há resultados para este conteúdo”. O aviso resume a situação do projeto que funcionou entre 2009 e 2012, mantido em parceria entre as secretarias de Educação e Cultura – através da Vila das Artes -, em 20 escolas públicas da rede municipal de ensino, envolvendo uma média de 850 crianças a cada ano de funcionamento.
Oficialmente, a atual gestão nunca admitiu o rompimento do projeto. Em matéria publicada pelo Vida&Arte em 12 de maio deste ano, “Ninguém dança”, coordenadores prometiam que a retomada seria em agosto. O que ainda não aconteceu.
De acordo com Ernesto Gadelha, coordenador de dança da Vila das Artes, o atraso na implantação se deu por uma questão burocrática. “O que a gente identificou foi que para contratar profissionais teria que ser criado um dispositivo legal para a função de instrutor de dança, que não existe nos quadros de funcionários de serviço da Prefeitura”, diz. Segundo ele, o processo está em tramitação.
Luciano Bezerra, assessor técnico de cultura da Secretaria Municipal de Educação, afirma que atividades serão retomadas ainda neste semestre. “Já visitamos algumas escolas e planejamos as mudanças no projeto. Queremos retomar as atividades ainda neste ano, mesmo com o semestre reduzido”, avalia. Ele não arrisca uma data.
A espera, no entanto, tem um custo. As aulas do Dançando na Escola aconteciam duas vezes por semana no contraturno das atividades escolares em salas que foram adaptadas para o uso. Os espaços receberam instalação de barras, espelhos, piso de madeira e linóleo (revestimento para piso impermeável e emborrachado).
“Sinto falta do Dançando. A gente tinha (aula de) todo tipo de dança”, afirma Joyce Nogueira, 11 anos, aluna da EMEIF Dom Aloísio Lorscheider, na Praia do Futuro. Em 2009, a escola foi escolhida para lançar o projeto. Hoje, depois de um ano e oito meses de hiato, a sala antes dedicada ao programa é usada como depósito de materiais desgastados e inutilizáveis, ocupada por um amontoado de carteiras enferrujadas, mesas quebradas, refletores e livros antigos.
De acordo com a diretora Marilene Feitosa, foi feito um ofício para a retirada dos materiais da sala. “Nós fomos procurados por uma responsável do Dançando na Escola. Ela perguntou se eu tinha interesse em continuar as atividades, falei que sim”, explica Marilene, “de todo modo iremos ajeitar a sala para receber a atividade de dança pelo Mais Educação (Saiba Mais)”.
O POVO procurou outras escolas que receberam a formação. O diretor da EMEIF Ismael Pordeus, no bairro Cocó, Élcio Azevedo, não aceitou receber a equipe de reportagem. “Estamos num momento delicado e a sala de dança está sendo utilizada para outros fins”, afirmou por telefone.
Na escola Mozart Pinto, no Montese, o espaço reformado pelo projeto Dançando na Escola é mantido com atividades de dança embora não estejam vinculadas ao Dançando na Escola nem ao Mais Educação. O local conserva espelhos, barras e linóleo. “Eu não poderia deixar uma sala como esta inutilizada”, afirma a diretora Luci Sabino.
“Foi uma experiência muito positiva. Eu arrisco até dizer que fica mesmo na vida dos alunos”, afirma a bailarina e arte-educadora Mônica Maciel, uma das professoras do projeto, que promovia mensalmente seminários de alinhamento pedagógico, onde compartilhavam experiências e refletiam sobre a ação docente. “No espaço da escola a gente deve trabalhar com a dança criativa, a dança como linguagem, pensamento e expressão”, conta.
SAIBA MAIS
Durante o tempo que Dançando na Escola funcionou, o pagamento dos professores estava incluído no convênio tripartide mantido entre as duas secretarias municipais e a Associação de Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Dança do Ceará (Prodança).
O programa federal Mais Educação é uma estratégia de ampliação da jornada escolar. Monitores e tutores voluntários oferecem atividades no contraturno das aulas.