Ao buscar informações sobre o Dançando na Escola na página da Prefeitura de Fortaleza na internet, a mensagem encontrada é: “Não há resultados para este conteúdo”. O aviso resume a situação do projeto que funcionou entre 2009 e 2012, mantido em parceria entre as secretarias de Educação e Cultura – através da Vila das Artes -, em 20 escolas públicas da rede municipal de ensino, envolvendo uma média de 850 crianças a cada ano de funcionamento.
Oficialmente, a atual gestão nunca admitiu o rompimento do projeto. Em matéria publicada pelo Vida&Arte em 12 de maio deste ano, “Ninguém dança”, coordenadores prometiam que a retomada seria em agosto. O que ainda não aconteceu.
De acordo com Ernesto Gadelha, coordenador de dança da Vila das Artes, o atraso na implantação se deu por uma questão burocrática. “O que a gente identificou foi que para contratar profissionais teria que ser criado um dispositivo legal para a função de instrutor de dança, que não existe nos quadros de funcionários de serviço da Prefeitura”, diz. Segundo ele, o processo está em tramitação.
Luciano Bezerra, assessor técnico de cultura da Secretaria Municipal de Educação, afirma que atividades serão retomadas ainda neste semestre. “Já visitamos algumas escolas e planejamos as mudanças no projeto. Queremos retomar as atividades ainda neste ano, mesmo com o semestre reduzido”, avalia. Ele não arrisca uma data.
A espera, no entanto, tem um custo. As aulas do Dançando na Escola aconteciam duas vezes por semana no contraturno das atividades escolares em salas que foram adaptadas para o uso. Os espaços receberam instalação de barras, espelhos, piso de madeira e linóleo (revestimento para piso impermeável e emborrachado).
“Sinto falta do Dançando. A gente tinha (aula de) todo tipo de dança”, afirma Joyce Nogueira, 11 anos, aluna da EMEIF Dom Aloísio Lorscheider, na Praia do Futuro. Em 2009, a escola foi escolhida para lançar o projeto. Hoje, depois de um ano e oito meses de hiato, a sala antes dedicada ao programa é usada como depósito de materiais desgastados e inutilizáveis, ocupada por um amontoado de carteiras enferrujadas, mesas quebradas, refletores e livros antigos.
De acordo com a diretora Marilene Feitosa, foi feito um ofício para a retirada dos materiais da sala. “Nós fomos procurados por uma responsável do Dançando na Escola. Ela perguntou se eu tinha interesse em continuar as atividades, falei que sim”, explica Marilene, “de todo modo iremos ajeitar a sala para receber a atividade de dança pelo Mais Educação (Saiba Mais)”.
O POVO procurou outras escolas que receberam a formação. O diretor da EMEIF Ismael Pordeus, no bairro Cocó, Élcio Azevedo, não aceitou receber a equipe de reportagem. “Estamos num momento delicado e a sala de dança está sendo utilizada para outros fins”, afirmou por telefone.
Na escola Mozart Pinto, no Montese, o espaço reformado pelo projeto Dançando na Escola é mantido com atividades de dança embora não estejam vinculadas ao Dançando na Escola nem ao Mais Educação. O local conserva espelhos, barras e linóleo. “Eu não poderia deixar uma sala como esta inutilizada”, afirma a diretora Luci Sabino.
“Foi uma experiência muito positiva. Eu arrisco até dizer que fica mesmo na vida dos alunos”, afirma a bailarina e arte-educadora Mônica Maciel, uma das professoras do projeto, que promovia mensalmente seminários de alinhamento pedagógico, onde compartilhavam experiências e refletiam sobre a ação docente. “No espaço da escola a gente deve trabalhar com a dança criativa, a dança como linguagem, pensamento e expressão”, conta.
SAIBA MAIS
Durante o tempo que Dançando na Escola funcionou, o pagamento dos professores estava incluído no convênio tripartide mantido entre as duas secretarias municipais e a Associação de Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Dança do Ceará (Prodança).
O programa federal Mais Educação é uma estratégia de ampliação da jornada escolar. Monitores e tutores voluntários oferecem atividades no contraturno das aulas.