segunda-feira, 26 de agosto de 2013

26/08/2013 Roubos e furtos de veículos aumentam 35% na Capital

O relato na rede social tem só seis linhas. “Venho pedir ajuda a vocês porque acabei de ser assaltado à mão armada. Levaram meu veículo. Qualquer notícia, por favor, entre em contato”, diz Carlos Elpídio no trecho indignado de um clamor tão curto quanto rotineiro em Fortaleza.

De janeiro a julho deste ano, os roubos e furtos de veículos aumentaram 35% em relação ao mesmo período do ano passado. Os casos saltaram de 3.875 para 5.250. Os dados foram levantados pelo O POVO com base em relatórios da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSPDS). De junho para julho, os roubos cresceram 8,9% depois de um recuo de 5% no bimestre anterior. Já os furtos reduziram em 18% de junho para julho, após o aumento de 9% de maio para junho.

Tão logo as estatísticas de agosto sejam contabilizadas pela SSPDS, Elpídio aumentará o número de 3.704 fortalezenses com carros roubados nos sete primeiros meses deste ano. Os furtos no mesmo período foram 1.546.

O ataque a Carlos aconteceu na rua Coronel Alves Teixeira. O Polo foi levado dele no bairro com o 18º maior índice de roubos de veículos da cidade – o Joaquim Távora.
 
Bairros
Messejana encabeça o ranking desse tipo de crime. Tem 150 ações de janeiro a julho deste ano. A Parquelândia, bairro em quarto lugar até maio, saltou para a segunda colocação (com 142 casos). Somente seis bairros de Fortaleza não tiveram roubos de veículo sem 2013. Já no tocante aos furtos, o Centro lidera - com 149 ocorrências. Apenas 13 bairros da Capital não registraram ocorrências em 2013. Isolados, os furtos aumentaram apenas 2,5% em relação a 2012, com retração nos meses de março, abril, junho e julho. No recorte exclusivo dos roubos, o crescimento foi de expressivos 57% - sem recuo estatístico em nenhum mês. 

Dicas

1. Quando não tiver como deixar o veículo num estacionamento fechado, procure ruas que não sejam ermas ou mau iluminadas. Prefira parar onde há vigias.

2. Ao deixar o veículo, retire tudo. Até uma sacola vazia pode despertar a curiosidade dos bandidos. Se não tiver como levar os pertences, coloque-os no porta-malas. Isso vale também para documentos.

3. Planeje sua rota caso vá circular por regiões desconhecidas. Você pode acabar passando por um local típico de roubos e ser vítima de um.
 
4. Em semáforos, pare a uma boa distância do carro da frente e da faixa de pedestres. Em caso de um ataque, você terá margem de segurança para arrancar.

5. Utilize dispositivos de segurança visíveis e modernos, como bloqueadores, rastreadores, localizadores, correntes, chaves interruptoras e trancas de direção.
 
6. Antes de entrar na garagem, repare em possíveis movimentações suspeitas. Se notar algo estranho, afaste-se e acione a Polícia.
 
Serviço

Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC)
Onde: avenida Godofredo Maciel, Maraponga (vizinho ao Detran)
Telefone: (85) 3101 2489

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

56 condutores são multados diariamente sem habilitação 15.08.2013

A maioria dos infratores são os motociclistas; motoristas de carros particulares vêm em segundo, diz Detran
A situação do trânsito no Brasil é considerada, por quase totalidade dos especialistas no assunto, como de calamidade pública. No Ceará, não é diferente. A imprudência, desrespeito à sinalização, ingestão de álcool e o grande número de não habilitados são os principais motivos da violência nas estradas e dentro das cidades do Estado.

Entre janeiro e junho deste ano, o Detran e a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) aplicaram 7.489 multas em condutores de moto sem CNH. Entre motoristas de carros particulares, este número foi de 1.577 Foto: Kid Júnior

De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/CE), somente no primeiro semestre deste ano, a fiscalização registrou 10.138 multas em motoristas que não possuem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Foram 56 multas por dia em seis meses. A grande maioria, 42 multas, em condutores de motos. Neste período, foram 7.489 multas. Os carros particulares vem em segundo lugar, com 1.577, sendo quase nove infrações diariamente.

A preocupação do Detran é com a diferença entre o crescimento da frota e o número de habilitados no Estado nas categorias A, B, C, D e E. De acordo com o órgão estadual de trânsito, em dez anos - entre 2003 e 2013, a frota de veículos registrou crescimento da ordem de 172% no Estado, enquanto os que possuem Carteira Nacional de Habilitação para as categorias A, B, C, D e E aumentou 94,7% em igual período.

Em 2003, a frota estadual era de 829,5 mil veículos e, até junho deste ano, pulou para 2.256.310 carros, motos, caminhões, caminhonetes, ônibus, micro-ônibus, reboques e semirreboques que circulam em todo o Estado. Nesse tempo, os habilitados passaram de 771.816 para 1.503.234, em 2013.

Irregularidades
A diferença entre os veículos e os com CNH, de 33,4%, revela um quadro assustador: 753,6 mil pessoas podem não estar regularizadas e, mesmo assim, se arriscam colocando a própria vida e a dos outros em perigo. A infração é considerada gravíssima e implica em apreensão da moto e multa de R$ 191,00, que é multiplicada por três, totalizando R$ 573,00.

No Interior, a situação é pior, analisa o engenheiro de transporte, Alberto Pereira. Das 769.284 motocicletas, apenas 465.597 possuem CNH. "São 303,6 mil pessoas que podem estar circulando nos municípios sem qualquer capacitação, o que podemos verificar na quantidade de acidentes, cujas vítimas enchem as enfermarias do Instituto José Frota (IJF)", frisa.

Entre os carros particulares, o problema também é grande. Entre janeiro e junho deste ano, o Detran, em parceria com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), aplicou 1.577 multas em motoristas em carteira de habilitação. Foram quase nove por dia. Outras 109 multas foram para caminhoneiros que também dirigiam sem a CNH.

No início de maio, o agricultor José da Silva, 42, alegou para a Polícia que a morte do estudante José Leonardo de Oliveira, 14, foi provocada pelo estouro de um pneu traseiro da sua camioneta D-10. Quem guiava o veículo era ele. Confessou não ter habilitação para dirigir.

Nesse casos, a lei é mais dura. Ele, além de pagar multa, foi preso e vai responder pela morte do rapaz. Na avaliação do comandante da PRE, coronel Túlio Studart, existem algumas características das infrações que mais preocupam. A embriaguez é uma delas, por causa da alteração nos reflexos. "O condutor inabilitado também, porque ele não tem a mínima perícia definida pelo Estado para dirigir", aponta.

Exigência
O especialista em trânsito Rogério Almeida afirma que as pessoas precisam entender que ter habilitação para dirigir é uma exigência da lei que deve ser cumprida. "Não há discussão quanto a isso: dirigir sem habilitação é crime".

Para ele, é definido que o requisito mínimo para poder dirigir é passar pelas aulas e provas não só pela parte técnica, mas pelo conhecimento que se aprende da legislação de trânsito, direção defensiva, entre outros fundamentos. "É claro, que com a prática o motorista vai melhorando, mas há um mínimo exigido. As pessoas arriscam porque poucas foram paradas pela fiscalização, que deve mesmo ser intensificada", diz.

LÊDA GONÇALVESREPÓRTER

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

60% da água distribuída por carros-pipa no Ceará é contaminada

Na Dinamarca cearense, só se chega com carro grande e encarando a poeira que sobe na estrada. Ao contrário do país nórdico, a Dinamarca cearense está longe do mar. A localidade fica a uns 10 km da sede do município de Santa Quitéria, no Sertão. E ali, nestes tempos de céu sempre aberto, só o carro-pipa salva. O que está garantindo água na casa de Maria Soares Mesquita, 55, e em outras sete moradas da comunidade chegou na última quinta-feira - para alegria da dona de casa, que garante: a água entregue ali é de qualidade. “A gente vê que é boa.”

A “garantia” da dona de casa, porém, não está refletida em relatório elaborado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Em maio, o órgão analisou 381 amostras de água de 28 municípios (os únicos que possuem carros-pipas cadastrados no sistema de informação e coletaram amostras) e concluiu que 60% das amostras estavam contaminadas: 18% (70) com a bactéria Escherichia coli e 42% (160) com coliformes totais.

O coordenador de Promoção e Proteção à Saúde do Estado, Manoel Fonsêca, cita que a má qualidade da água interfere na saúde. “Temos aumento de casos de diarreia. Infelizmente, a água ofertada (por carros-pipa) é de reservatório superficial, como açudes, que, normalmente, não são cercados, e as pessoas usam para outros fins”.

O Estado distribui hipoclorito de sódio para o tratamento domiciliar da água. Porém, cita a supervisora de Vigilância em Saúde Ambiental, Gláucia Norões, esse tratamento deveria ser complementar, não único. Solução para o problema, indicam Gláucia e Manoel, seria a aquisição de estações de tratamento de água móveis, equipamentos que tratam mesmo a água retirada de mananciais superficiais.

Enquanto não há estações móveis, as pastilhas de cloro devem ser utilizadas pelos pipeiros, frisa Manoel Fonsêca. Valmir Benevinut sabe disso. Pipeiro que deixou água, semana passada, para as casas da Dinamarca cearense, ele pega 8 mil litros d’água no rio Guaíra, em Santa Quitéria (porque “só tem de lá pra tirar”), e coloca duas “pedras de cloro” no tanque. “Aí vem limpando a água”, explica. “É bem tratada e a gente ainda filtra”, confirma o agricultor Francisco Tributino da Silva, 43, morador da localidade.

Enquanto acompanha o despejo da água na frente de casa, a dona de casa Maria agradece e sonha: “Graças a Deus tem pelo menos essa água. Estou pedindo a Deus que chegue o inverno e venha água pra gente.” Amém, dona Maria.

Serviço
Observatório da seca
O Governo Federal mantém um site com informações sobre as ações governamentais para convivência com a seca.
Acesse: is.gd/gOkWVbl0

Resumo da série
Em três dias, O POVO mostrou que a seca tem afetado a saúde do sertanejo. São problemas como surtos de diarreia e aumento de casos de dengue. Ontem, o risco de falta d’água em 40 municípios até o começo de 2014 foi destaque. Hoje, lembramos que a qualidade da água é fundamental quando falamos de saúde.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Funcionário do Frotinha de Messejana é assassinado no portão do hospital

“Um funcionário do Frotinha da Messejana foi assassinado na manhã desta segunda-feira, 12, por volta de 8 horas, em frente ao portão principal do hospital. Segundo o soldado Manuel Martins, do Ronda do Quarteirão, Mairton Delfino da Silva, 50 anos, foi morto com seis tiros por dois homens em uma moto, quando saia para comprar um lanche. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Ainda de acordo com o Ronda, a vítima, que trabalhava no laboratório do hospital, tinha várias passagens pela Pólicia e já havia sido presa por homicídio, assalto e receptação.
Em contato com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, O POVO Online confirmou o assassinato do funcionário do Frotinha da Messejana, mas não foi passado mais detalhes sobre o crime. Em relação a uma possível falha na segurança, a assessoria rechaçou e afirmou que o crime não ocorreu no hospital, mas sim na calçada do Frotinha.”
(POVO Online)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Five people are murdered every 24 hours in the Capital (Fortaleza/Ceará/Brazil)

Five people are murdered, on average, every 24 hours in Fortaleza, in the first half of 2013, according to data released by the Ministry of Public Security and Social Defense (PDSS) on Monday, 5. The data refer to the period from January to June this year.
According to an article published by THE PEOPLE in July 2012, the average homicide victims per day in the Capital was four, showing that, in a year, one more person dies victim of this crime in Fortaleza.
According to the PDSS were recorded in the first six months of this year, 982 cases of murder, when there is intent to kill, in the Capital. In comparison with the same period last year, recorded an increase in homicides in 27.53%. From January to June 2012 were registered by the Secretariat, 770 murder cases against 982 recorded in this period of 2013.
In the month of May, we have also found an increase, even if reduced. In the fifth month of the year were recorded 156 homicides in June were 164.

Cinco pessoas são assassinadas a cada 24 horas na Capital

Cinco pessoas são assassinadas, em média, a cada 24 horas em Fortaleza, no primeiro semestre de 2013, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nesta segunda-feira, 5. Os dados são referentes ao período de janeiro a junho deste ano.
De acordo com matéria publicada pelo O POVO em julho de 2012, a média de pessoas vítimas de homicídio por dia na Capital era quatro, mostrando que, em um ano, uma pessoa a mais morre vítima deste crime em Fortaleza.
De acordo com a SSPDS, foram registrados, nos primeiros seis meses deste ano, 982 casos de homicídio doloso, quando há a intenção de matar, na Capital. Na comparação com o mesmo período do ano passado, registra-se um aumento no número de homicídios em 27,53%. De janeiro a junho de 2012, foram registrados pela Secretaria, 770 casos de homicídio, contra 982 contabilizados neste período de 2013.
Em relação ao mês de maio, também foi constatado aumento, mesmo que reduzido. No quinto mês do ano foram registrados 156 casos de homicídio, em junho foram 164.
No Interior do Estado, foram registrados 1.053 assassinatos no 1º semestre, contra 911 do igual período do ano passado, registrando um crescimento de 15.58%.
BAIRROS E MUNICÍPIOS MAIS VIOLENTOS
Em Fortaleza, os dois bairros mais violentos foram Jangurussu e Pici, que registraram 34 e 33 casos de homicídios nos seis primeiros do ano, respectivamente.
Em relação aos municípios mais violentos, Caucaia e Maracanaú ocupam o topo da lista, regitrando 113 e 77 casos de morte por homicídios no primeiro semestre de 2013.
VISÃO DO GOVERNO
A SSPDS divulgou matéria enfatizando uma redução no número de casos de homicídios no Estado, baseando-se na divisão do semestre em dois. De acordo com a Secretaria, entre janeiro e março foram registrados 1.074 crimes de morte no Estado contra 962 nos três meses seguintes. A redução é de aproximados 10%. Ainda segundo a secretaria, na capital, os números também apontam para a diminuição dos índices, que desceram de 529 no primeiro trimestre para 454 no segundo

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Criminalidade, pobreza e desamparo assolam crianças e adolescentes

Fatores sociais e a falta de oportunidades refletem nos altos índices de menores envolvidos em delitos
Todos os dez centros educacionais destinados a receber adolescentes em conflito com a lei, em Fortaleza, estão superlotados. Repletos de adolescentes que, em geral, têm o mesmo perfil; estão fora da escola, vêm de bairros muito pobres, não têm uma família estruturada e são viciados em drogas. O problema que circunda a infância e a juventude da Capital tomou proporções que evidenciam, cada vez mais, a falta ou ineficiência de políticas públicas que integrem estes jovens em outro mundo, que não o do crime.

Na semana passada, a Tropa de Choque teve que entrar no Centro Patativa do Assaré para conter mais uma rebelião. A unidade está com superlotação FOTO: CID BARBOSA

A situação de superlotação nestas unidades se mostra cada vez mais dramática, segundo o juiz da Quinta Vara de Execuções da Infância e da Juventude, Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves.

As dez unidades de internação da Capital têm capacidade para abrigar 500 adolescentes, no entanto, no último mês, chegaram a receber 1.031 internos, conforme informações do magistrado. "A quantidade exagerada de internos acarreta perigos inclusive para a integridade deles. As rebeliões são cada vez mais agressivas. Eu já havia mandado ofícios para a STDS (Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social) avisando sobre a gravidade da situação e não obtive resposta. Fui formalmente ignorado", afirmou Clístenes Gonçalves fazendo referência às últimas rebeliões no Centro Patativa do Assaré.

Sem melhoras
Atualmente, 976 adolescentes estão sendo custodiados pelo Estado nestas unidades. As mais superlotadas são o Centro Educacional Cardeal Aloísio Lorscheider (Cecal), destinado a faixa etária compreendida entre 18 e 21 anos; e o Centro Educacional Dom Bosco, que abriga menores entre 12 e 16 anos, os mais jovens do sistema.

Cada um destes centros citados têm capacidade para receber 60 pessoas, mas contam com 158. Para o juiz da Vara de Execuções, o alto número de internos dificulta o trabalho das equipes de funcionários e comprometem a situação dos adolescentes.

O juiz da Quinta Vara da Infância e da Adolescência, Manuel Clístenes Gonçalves, afirma que a situação dos Centros é desanimadora FOTO: NATINHO RODRIGUES

"Eu mesmo já havia alertado a direção do Patativa do Assaré sobre riscos iminentes de rebelião. Em reunião com a direção anterior e com a cúpula da STDS pedi medidas urgentes para o Centro", declarou o juiz.

Manuel Clístenes ressaltou que não há previsão de melhoras, visto que o número de casos passíveis de internação é crescente. "A superlotação é uma questão antiga e persistente. Desde que assumi este Juizado, o número mínimo de internos foi de 775. No decorrer do tempo, nossas estatísticas têm a forma de uma curva gráfica, que oscila entre números de esperança e desanimação. Em geral, ficamos desanimados".

STDS
Representantes da STDS, responsável pelos centros educacionais, afirmaram estar cientes da situação e trabalhando para que o problema seja solucionado. Segundo a coordenadora de Proteção Social Especial da STDS, Ana Cruz, existem projetos em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos para construção de novas unidades. Ela salientou ainda, que duas destas serão entregues até o fim deste mês, na Capital. "Serão duas unidades aqui em Fortaleza e uma em Sobral. Para o próximo ano, iremos entregar mais uma em Sobral e uma em Juazeiro do Norte".

Conforme a coordenadora, um meio eficiente para que a superlotação seja reduzida é o Poder Judiciário decidir por mais medidas de meio aberto, que são a liberdade assistida e a prestação de serviço à comunidade, ao invés de internações como punições para alguns tipos de atos infracionais.

"O Ministério Público está conosco na tentativa de sensibilizar o Judiciário para que veja as medidas de meio aberto como uma forma de desafogar as unidades", afirmou Ana Cruz.

A responsável pela Coordenação de Proteção Social Especial lembrou que este é um problema somente de Fortaleza e que nenhum centro do Interior está lotado. Pelo contrário, estão longe de atingia sua capacidade. "Mesmo tendo vagas lá, muitos adolescentes internos na Capital, são do Interior", declarou Ana Cruz. Atualmente quatro cidades do Interior têm centro educacionais. São elas, Iguatu, Crateús, Juazeiro do Norte e Sobral. A unidade de Iguatu está com apenas a um interno.

O juiz Clístenes Gonçalves disse que a ampliação da aplicação de medidas de meio aberto não é viável, diante da situação em que a maioria dos menores chegam ao Juizado e pelo modo como estão sendo acompanhados.

"As medidas de meio aberto não funcionam em Fortaleza. Além disto, na Capital não tem praticamente nenhum interno que cometeu um ato infracional leve. A maioria esmagadora tem de três a quatro processos. Ou estão nos centros por terem cometido um ato grave, ou, porque cometem delitos de forma reiterada". O magistrado considerou que outras instituições são afetadas com a criminalidade entre menores. "Não só os Centros extrapolaram a demanda quanto aos menores infratores, mas a Polícia, o IJF e até os cemitérios sofrem este reflexo".
Números desanimadores para infância

As autoridades responsáveis por lidar com crianças e adolescentes em conflito com a lei são unânimes em um ponto. Assinalam a falta de oportunidade no meio em que estes infratores crescem e a ausência de fatores cruciais em sua formação, como educação, saúde e saneamento básico, que afetam de forma direta o próprio futuro dos menores.

Dados da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude de Fortaleza dão conta de que as Secretarias Executivas Regionais mais preocupantes, no tocante ao envolvimento de menores de 18 anos com atos infracionais, são as Secretarias SERs I, V e VI.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa e Estratégia do Ceará (Ipece), divulgado em junho deste ano, comprova que as áreas citadas pela Coordenadoria de Juventude são também as que apresentam maiores números de crianças e adolescentes de zero a 14 anos, desassistidas de políticas públicas fundamentais, como a educação.

Segundo os dados da pesquisa do Ipece, baseada no Censo 2010 realizado pelo IBGE, os piores números são os da SER V, que compreende 18 bairros e abriga mais de 570 mil pessoas.

Somente na faixa etária de zero a 14 anos são mais de 139 mil moradores, na Regional V. Segundo o IPECE, além de ser a mais populosa, esta é também a que apresenta o maior número de crianças fora da escola. São 30,5 mil crianças e adolescentes que deveriam frequentar o ensino infantil ou o fundamental.

Os altos índices populacionais e de possíveis estudantes fora da escola da SER V são seguidos pelas Regionais V e I. Os números das três são os mais altos também, no patamar de crianças e adolescentes que não sabem ler e escrever.

Se somadas, as populações das três áreas administrativas mais prejudicadas são contabilizados 335,4 mil pessoas de zero a 14 anos. Mais de 79 mil delas estão fora da escola e mais de 24 mil (de seis a 14 anos) não sabem ler e escrever.

Pobreza

Ainda baseado nos dados da população entrevistada no Censo 2010, o Ipece concluiu que 50% da população de Fortaleza de zero a 14 anos vive com menos da metade de um salário mínimo por mês. O estudo cita como crítica, a situação de algumas Regionais. Na área V, que está em piores condições neste quesito, mais de 57% das pessoas nesta faixa etária vivem com a metade de um salário.

O estudo constatou ainda, que cerca de 20% de crianças e adolescentes que serviram de base para o estudo vivem em situação de extrema pobreza (R$ 70,00/mês). Enquanto isto, somente 3,2% da mesma população, em Fortaleza, vive com cinco ou mais salários mensais.

Na condição de pobreza, as Regionais que se destacam são a I, V e VI; em extrema pobreza são as I, II, V. Levando em consideração os domicílios, em Fortaleza 32,4 mil pessoas até os 14 anos vivem em domicílios pobres e mais de 13 mil em domicílios extremamente pobres.

Nestas residências, pelo menos 146 mil jovens vivem sem a presença do pai (maioria dos casos) ou da mãe.

SAIBA MAIS

Além do temor das autoridades de que a faixa etária entre zero e 14 anos seja atraída pela criminalidade, diante da possibilidade de vê-la como futuro promissor, outro medo é que ela entre na estatística que os economistas denominaram ´Geração Nem-nem´. O número de jovens entre 16 e 24 anos que não estudam, nem trabalham já chega a 5,3 milhões no País. Se forem contabilizados os que, além disto, não procuram emprego, eles chegam a 8,8 milhões. Segundo o IBGE, os ´Nem-nem´ já representam 17% da população brasileira de 16 a 24 anos. O índice é mais alto entre os jovens que vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza. Em relação às regiões, as mais afetadas pela ociosidade, se destacam a Norte e a Nordeste. Estudo feito pela UERJ revela que as pessoas que estão nesta situação seriam as herdeiras de um legado de miséria patrimonial e intelectual histórico no Brasil




MÁRCIA FEITOSAREPÓRTER

Descaso incomoda frequentadores 05.08.2013

Diante da bela paisagem da Praia de Iracema, quem visita os espigões se depara com sujeira e falta de manutenção

Lugares de lazer para quem aprecia a vista da Praia de Iracema, os espigões situados no início das ruas João Cordeiro e Rui Barbosa encontram-se em situações diferentes, porém ambos exigem algumas mudanças. No primeiro, o descaso e a insegurança, já no outro, o bem-estar dos visitantes se mistura a uma paisagem com pichações.

Além de pichações, a população que visita a Beira-Mar reclama da escuridão em alguns pontos e da falta de segurança FOTO: KIKO SILVA

Exemplo do incômodo em relação às dificuldades existentes nesses locais é a promotora de vendas Patrícia Brasil. Ela lembra que, apesar de ir ao espigão da João Cordeiro acompanhada do marido e da filha no mínimo duas vezes durante o mês, após o pôr-do-sol, sente-se mais vulnerável a assaltos. "Não vejo policiamento por aqui, além disso, as lâmpadas no final do espigão não funcionam, e algumas estão até quebradas, o que aumenta a escuridão e o perigo para todos que estão aqui", ressalta.

Outro aspecto que Patrícia pontua é a sujeira tanto de resíduos que os visitantes jogam no espigão como também as pichações feitas nele. "Um ponto turístico como esse foi feito e depois esquecido. A falta de manutenção e o descaso acabam deixando a gente com medo", confessa.

O mesmo afirma o comerciante Jorge Ribeiro que frequenta o espigão quase todas as manhãs. "Têm algumas obras inacabadas que deixaram blocos de concreto com parafusos expostos e, mesmo no início do dia, já existem usuários de drogas no lugar. Pelo menos, sempre vejo a presença de guarda municipal na entrada desse espigão, por isso não me sinto tão inseguro", destaca o comerciante.

Cenário

A situação no espigão situado na Rui Barbosa não é igual, todavia, os atos de depredação no lugar também chamam a atenção de quem passa e incomoda os frequentadores do local. O Jorge Ribeiro também costuma passear por ali, no entanto enfatiza que, exceto as pichações, há somente elogios sobre o lugar.

Já o aposentado José Carlos Lima mora próximo do espigão da Rui Barbosa e conta que sempre aproveita o bem-estar que o lugar lhe proporciona. "Todos os dias, às 18 horas, venho para cá e percebo a boa iluminação e segurança nesse espigão".

De acordo com as informações da assessoria de comunicação da Secretaria Regional II (SERII), está previsto ainda para este mês uma ação de limpeza e a manutenção dos espigões, com a retirada de pequena vegetação e resíduos sólidos. Quanto à iluminação naquela lugar, a Regional é responsável pela catalogação das lâmpadas defeituosas para informar ao órgão que realiza a substituição.

Sobre a segurança, o comandante do Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas, coronel Cláudio Mendonça, diz que as ocorrências são referentes ao uso de drogas (sobretudo maconha) principalmente no espigão da João Cordeiro. "Apenas neste ano já realizamos 30 procedimentos conduzindo menores à delegacia. Por ser longo (612 metros), a inserção de policiamento no local é intensa se comparada ao da Rui Barbosa, com metade do tamanho e poucas ocorrências". Sobre os assaltos citados por frequentadores, o coronel revela que não há incidência dentro dos espigões.

Equipamento gera mais expectativas

Tapumes, grandes pedras caminhões e escavadeiras formam cenário na Avenida Beira-Mar, em frente ao Náutico Atlético Cearense, anunciando a construção de uma nova estrutura: o espigão. Apesar dos dois já existentes na área, o novo possui 300 metros e tem atraído olhares, gerando um misto de transtornos e expectativas por parte das pessoas que dependem do comércio ali próximo.

Iniciada no mês de maio, a obra está prevista para ser finalizada em setembro. Enquanto isso, os vendedores apresentam opiniões diversas quanto aos danos e ao que virá de positivo com a entrega do novo espigão.

Para a feirante Maria das Graças Teixeira (locada há 13 anos na Feirinha da Beira-Mar) cuja barraca se encontra ao lado da estrutura construída, a intervenção gerou alguns prejuízos que irão compensar futuramente. "A obra dificulta a nossa venda, porque um lado fica fechado para os visitantes e acaba diminuindo o movimento. Mas é preciso fazer essas mudanças para melhorar. Temos que apoiar as benfeitorias", enfatiza.

Já de acordo com o feirante José Mauro Pereira, que trabalha há 15 anos no ponto e também tem sua barraca ao lado do canteiro de obras, a construção não prejudica o seu comércio e trará apenas vantagens. "Depois que ficar pronto, o espigão vai melhorar bastante as vendas, porque vai atrair mais gente para ver o trajeto bonito e essas pessoas vão acabar chegando na feirinha", acrescenta.

A construção compõe o projeto de Nova Beira-Mar de Fortaleza e a escolha do local na avenida foi feita a fim de permitir o aterramento hidráulico entre as avenidas Rui Barbosa e Desembargador Moreira e a melhoria na urbanização do calçadão. Fortaleza já possui 15 espigões; sendo quatro nessa região e 11 na praia da Leste-Oeste.

Projeto

Os trabalhos programados para requalificação da Avenida Beira-Mar contam ainda com pavimentação das vias de tráfego de veículos, estacionamentos, passeios, ciclovias, a construção de um aterro hidráulico, além de tratamento paisagístico, requalificação da feira de artesanatos, do Mercado dos Peixes, dos embarcadouros, da área de manutenção de jangada, dos quiosques e a instalação de um bonde elétrico.

VICKY NÓBREGAESPECIAL PARA CIDADE

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Falta de estrutura contrasta com ensino



O muro, que veio ao chão em novembro de 2012, ainda não foi reerguido totalmente. As salas, do Centro de Línguas, que abrigam mais de três mil alunos, ainda pacedem de ventilação adequada e manutenção. A condição dos banheiros e a insegurança geram queixas. No Instituto Municipal de Pesquisas, Administração e Recursos Humanos (Imparh) de Fortaleza, situado no bairro Damas, os elogios dos alunos quanto à qualidade do ensino são proporcionais às reclamações de sucateamento. Reformas estão em curso e a Prefeitura garante que outras virão até a metade de 2014. 
“Estou no primeiro semestre e gosto muito do curso. Os meus professores são bons e a estrutura da grade do curso é bacana, mas é muito contraditório que com tudo isso, nós não tenhamos uma estrutura física adequada”, afirmou a estudante do 2º semetre do curso de Francês da instituição, Luciana Aragão. De acordo com ela, nas salas, os vetiladores são barulhentos e atrapalham a escuta de exercícios. A estrutura dos banheiros, também, conforme a estudante, deixa a desejar.
A opinião é partilhada pela estudante do curso de inglês, Mariane Porfírio Soares. Professores engajandos e ensino exemplar são os sinais positivos da instituição pública, que, no entanto, sofre com a precariedade dos espaços, bem como a insegurança que, de acordo com ela, permeia o local. “Eles até começaram a reformar, mas só vi trocarem as portas e pintarem algumas paredes”, garantiu.
POUCOS GUARDAS
O jornalista e aluno do curso de Administração Pública Semi-Presencial da Universidade Federal do Ceará (UFC), Diogenilson Aquino, que estuda na Universidade Popular de Fortaleza, situada também no prédio do Imparh, repercutiu as mesmas queixas.
De acordo com ele, que frenquenta o campus no período noturno, a falta de agentes de segurança e pouca iluminação favorecem a sensação de insegurança. “Só tem dois guardas municipais e local está aberto já que o muro não foi construído. Já presenciei episódios de insegurança. Tem até pessoas que entram e mexem nos carros”, completou.