domingo, 31 de março de 2013

Lagoa do Opaia carece de cuidados



“Quando cheguei aqui, em 1990, dava para tomar banho e pescar. Hoje só temos dor de cabeça”. A afirmação é do comerciante Paulo Madeira, 45, que mora às margens da Lagoa do Opaia. Moradores da região reclamam que a lagoa - que já foi área de lazer para quem mora no bairro Vila União - está abandonada.

O pavimento inexiste às margens da lagoa. No lugar do calçamento, há material de difícil decomposição como isopor, garrafas pet e sacos plásticos. O mau cheiro é latente. Há peixes mortos espalhados entre dejetos jogados por centenas de casas do bairro.

O fato de dejetos estarem boiando no espelho d’água não inibe os pescadores. “Pesco aqui há 30 anos. Eu e minha família nunca ficamos doentes por comer esses peixes”, atesta Francisco Oliveira, 56. “Fazíamos pique-nique aqui. Na margem da avenida Lauro Vieira Chaves era tudo arborizado. Era tanta árvore que chamávamos o lugar de ‘Amazônia’”, lamenta o aeroviário João Evangelista, 51. Ele diz que a ocupação desordenada da área contribuiu para os problemas que a lagoa e seu entorno enfrentam.

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) reconhece que nem todas as casas do bairro são assistidas por rede de esgoto. Através de nota, a companhia informa que após a realização de estudos técnicos, chegou-se à conclusão de que a ampliação da rede não é possível. As condições geográficas são o maior impeditivo, segundo a Cagece. A empresa alerta que na ausência de uma rede de esgoto, os moradores são responsáveis pela destinação dos dejetos produzidos e a implantação de fossas sépticas pode atenuar o problema.

O chefe de infraestrutura da Secretaria Executiva Regional IV, Adriano Câmara, tem uma visão diferente. “Fossas sépticas estão em desuso e não podemos obrigar pessoas de baixa renda a fazerem um procedimento que não é barato. Saneamento básico é responsabilidade do poder público”, destaca.

Manutenção
O microempresário Aderaldo Pinto, 28, defende que antes de revitalizar a lagoa é preciso garantir manutenção do que já foi feito. “A parte oeste da lagoa que foi revitalizada já está se deteriorando por falta de manutenção”, reclama. O autônomo Aderaldo Pinto, 28 acrescenta mais queixas: “as calçadas estão quebradas, um dos lados da lagoa foi revitalizado, mas não houve manutenção e já está ficando deteriorado. A revitalização do outro lado estava previsto no orçamento participativo de 2012, mas nada foi feito”.
Quando
ENTENDA A NOTÍCIA
Até meados dos anos 1990, a Lagoa do Opaia era a marca principal de lazer do bairro Vila União. Banho e pesca eram cenário constante. Atualmente, calçamento e pavimentação não mais margeiam a lagoa, que ainda sofre com poluição.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Clássico-Rei termina com 28 prisões e 18 apreensões, em Fortaleza


Partida entre Ceará e Fortaleza causou tensão em alguns pontos da cidade.
Apesar dos confrontos, polícia fala de 'tranquilidade' em segurança.



Grupo de torcedores é retirado de ônibus após dispararem rojões contra policiais e danificar veículo. O ônibus foi parado ainda na Avenida Dedé Brasil e torcedores revistados. (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)Grupo de torcedores é retirado de ônibus após dispararem rojões contra policiais e danificar veículo. O ônibus foi parado ainda na Avenida Dedé Brasil e torcedores presos. (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)







Ao todo, 46 torcedores foram autuados no estatuto do torcedor neste domingo (17), após se envolverem em conflitos durante a partida entre Fortalezax e Ceará na Arena Castelão. Segundo o delegado Romário Almeida, desse total, 18 são adolescentes e foram encaminhados para a Delegacia da Criança e do Adolescentes (DCA).
Conforme o delegado, mais de 70 ocorrências foram encaminhadas para a delegacia durante a partida. Mas somente para 46 foram apresentadas evidências e se configuravam  como infrações ao estatuto do torcedor. O maior volume de prisões, ainda de acordo com Almeida, ocorreu na Avenida Dedé Brasil, via de acesso ao Castelão.



Na avenida, a Polícia Militar teve de parar um ônibus que transportava um grupo em direção ao estádio. De acordo com a PM, os torcedores dispararam rojões contra soldados do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) e danificaram o ônibus com pedras. Cacos de vidros atingiram alguns usuários do veículo. Todos os torcedores foram detidos.
Políciais do Raio disparam balas de borracha para impedir invasão de torcedores a terminal de ônibus (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)
Políciais do Raio disparam balas de borracha para
impedir invasão de torcedores a terminal de ônibus
(Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)








Outros conflitos com grupos de torcedores foram registrados na cidade. No terminal de ônibus do Bairro Lagoa, imagens mostram a Polícia Militar disparando balas de borracha contra um grupo de torcedores que tentou invadir o terminal.  Um dos policiais chegou a aparar uma bomba caseira com as mãos.
Contingente
Para o Clássico-Rei deste domingo, entre Ceará e Fortaleza, na Arena Castelão, 665 policiais militares foram escalados para fazer a segurança do público.

Além deles, 60 agentes da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) e 40 bombeiros auxiliaram a polícia, ao longo da partida. Uma ambulância e uma viatura contra incêndio também estiveram disponíveis no estádiO.

Operação fecha 139 estabelecimentos e apreende 54 paredões


As blitze de fiscalização de bares e restaurantes noturnos, realizadas pela Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado, continuam neste feriadão. É o quarto fim de semana em que a ação vem sendo executada com o objetivo de reduzir a criminalidade na Capital. De ontem até domingo, as blitze percorrem bairros das Regionais I, V, VI e Centro. Balanço parcial registra que 139 estabelecimentos já foram fechados e 54 equipamentos sonoros, apreendidos. 
 “Buscamos fazer com que as leis se cumpram”, destaca o major Plauto de Lima, diretor da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF). Ele diz que a desobediência à Lei do Paredão, a ausência de alvarás nos estabelecimentos comerciais e a ocupação indevida das calçadas são os problemas mais recorrentes.
Entre os bares condenados pela fiscalização, no último fim de semana, está o Bar do Papai, no bairro Dionísio Torres. Problemas de atualização do alvará e da vigilância sanitária foram as irregularidades verificadas. Funcionário do estabelecimento, Marcelo Alcântara disse que o bar reabrirá neste feriadão “porque o processo de regularização junto à Prefeitura já está em andamento”.

Segundo o major Plauto, há a possibilidade de divulgar a relação de locais interditados e com pontos deficientes para que a própria população possa acompanhar o processo.
O comandante do Batalhão de Policiamento Comunitário (BPCom/Ronda do Quarteirão), coronel Paulo Sérgio Braga Teixeira, se mostra entusiasmado com os reflexos iniciais. “Nos bairros, durante o horário em que a fiscalização está acontecendo, não verificamos homicídios, lesões a bala e roubos de veículos, por exemplo. Ainda é muito cedo, mas já é um dado positivo”, avalia o coronel.

O major Plauto informa que as próximas fiscalizações devem acontecer com a colaboração do Corpo de Bombeiros. O chefe da Guarda espera a adesão do Juizado da Infância e da Juventude e dos Conselhos Tutelares. Segundo o coronel Paulo Sérgio, na próxima semana deve ser divulgado um balanço total da ações deste mês a partir do cruzamento com os números de ocorrências registrados pela Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).
Quem
ENTENDA A NOTÍCIA

Participam das blitze a Guarda Municipal de Fortaleza, a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC), a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), Regionais e a Polícia Militar/ Ronda do Quarteirão.

Mercado do Bairro Aerolândia está abandonado, em Fortaleza


O mercado público do Bairro da Aerolândia está abandonado. Construído na década de 1940, o mercado é coberto por uma estrutura de ferro fundido, importada da França. Antigamente eram vendidos legumes, verduras, frutas e até carnes. No entanto, restam apenas três dos 50 boxes existentes do mercado. Parte do telhado não existe mais e a estrutura está quase toda comprometida. "Vou ficar aqui até o mercado cair. Se cair ficarei na história", disse a vendedora Mirian Martins.
Já o morador Aroldo de Sousa conta como funcionava o mercado.  "Aqui era muito movimentado. Infelizmente hoje está dessse jeito", relata. Dentro do mercado é fácil encontrar lixo e entulho. O cheiro ruim é outro problema do lugar. O morador Francisco de Assunção Lima diz que a manutenção do local é uma reivindicação antiga dos moradores. Mas até agora nada foi feito.  "Eu sempre nas ruas da Aerolândia e as pessoas cobram providênciais. A reformulação do mercado. Isso aui é o nosso único patrimonio.
Patrimônio histórico
Mercado da Aerolândia foi tombado como patrimônio histórico pela Prefeitura de Fortaleza em 2008. No entanto, a reforma não saiu do papel. Segundo o secretário da Regional 6, Renato Lima, já existe na atual gestão um projeto de revitalização do prédio. E que em duas semanas será levado para a população e depois lançar a licitação. "O projeto ficará pronto no prazo de duas semanas e será levado para a população. A partir disso haverá uma audiência com os moradores para receber as criticas para finalizar os projeto. Sendo aprovado vamos agilizar e lançar a licitação.

Sobre a sujeira, o secretário informou que com a restrutuação do Mercado, todo o problema de sujeira será solucionado. Mas garantiu que até lá haverá um 

Mercado da Aerolândia foi construído na década de 1940.
Atual gestão possui um projeto de revitalização do local.

 de manter a limpeza do local.


Vade retro! Blitzes fecham 139 estabelecimentos e apreendem 54 paredões


papaia
“Bar do Papai” foi fechado, mas reabre neste feriadão.
“As blitze de fiscalização de bares e restaurantes noturnos, realizadas pela Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado, continuam neste feriadão. É o quarto fim de semana em que a ação vem sendo executada com o objetivo de reduzir a criminalidade na Capital. De ontem até domingo, as blitze percorrem bairros das Regionais I, V, VI e Centro. Balanço parcial registra que 139 estabelecimentos já foram fechados e 54 equipamentos sonoros, apreendidos.
“Buscamos fazer com que as leis se cumpram”, destaca o major Plauto de Lima, diretor da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF). Ele diz que a desobediência à Lei do Paredão, a ausência de alvarás nos estabelecimentos comerciais e a ocupação indevida das calçadas são os problemas mais recorrentes.
Entre os bares condenados pela fiscalização, no último fim de semana, está o Bar do Papai, no bairro Dionísio Torres. Problemas de atualização do alvará e da vigilância sanitária foram as irregularidades verificadas. Funcionário do estabelecimento, Marcelo Alcântara disse que o bar reabrirá neste feriadão “porque o processo de regularização junto à Prefeitura já está em andamento”. Segundo o major Plauto, há a possibilidade de divulgar a relação de locais interditados e com pontos deficientes para que a própria população possa acompanhar o processo.”
(O POVO)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Fortaleza registra aumento de 33% em assassinatos durante fevereiro


“Um dia depois de o governador Cid Gomes prometer a redução dos homicídios no Ceará até o ano que vem, as estatísticas apontaram que o desafio continua. Levantamento feito pelo O POVO, a partir de relatórios da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), indica que, na comparação entre fevereiro de 2012 e fevereiro último, houve aumento de 25,9% dos assassinatos no Ceará. Foram 291 ocorrências em fevereiro deste ano contra 231 no mesmo período de 2012.
Em Fortaleza, o aumento é ainda maior: 33%. Foram 106 pessoas assassinadas em fevereiro de 2012 e 142 no mês passado. Na Capital, quando observados os meses de janeiro e fevereiro dos dois anos, o índice de homicídios também cresceu: passou de 270 no primeiro bimestre de 2012 para 305 neste ano – crescimento de 12,9%. Queda do índice só é registrada, na Capital, quando comparados os meses de janeiro (163) e fevereiro (142) deste ano. Janeiro, porém, tem 31 dias; fevereiro, 28.
Na terça-feira, durante a formatura de inspetores da Polícia Civil, quando citou ser compromisso da gestão reduzir os índices de homicídios até 2014, o governador destacou estar “convencido de que a elevação do número de homicídios tem uma grande relação com as drogas”, como O POVO publicou ontem.
Para o pesquisador Geovani Jacó, porém, a violência não pode ser explicada apenas pelo narcotráfico. Jacó é coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas Conflitualidade e Violência, da Universidade Estadual do Ceará (Uece). “Mais grave que o narcotrafico, que é elemento importantíssimo: a população está se matando, os jovens estão se matando, em disputas que são agenciadas pelo narcotráfico, mas não só. Isso passa pelo mundo das drogas, mas passa por outras formas de cultura cotidiana. O cotidiano da cidade está violento”, diz.
O POVO procurou a SSPDS, através da assessoria de imprensa, no começo da tarde de ontem solicitando algum gestor para entrevista. O assessor da secretaria afirmou que retornaria a ligação indicando alguém, o que não ocorreu. Ele foi procurado outras vezes, mas as ligações para o celular dele não foram atendidas.”
(O POVO)

segunda-feira, 25 de março de 2013

água limpa


Se a água reflete como lidamos com o meio ambiente, um território bem tratado conta com água limpa. Os bons exemplos de cooperação são os que garantem acesso ao recurso e a manutenção da qualidade do aquífero
É consenso: o mundo é mais planeta água do que terra - já diria o cantor. A água ocupa cerca de 70% da superfície mundial, segundo a Unesco. A questão que aflige pesquisadores e cientistas da área é a qualidade de toda essa água que temos para agora e para as gerações futuras. Por isso, iniciativas de cooperação são cada vez mais necessárias quando o assunto são os recursos hídricos. 
Na avaliação do especialista em recursos hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), Marco Neves, ações como os comitês de bacias - grupos que discutem e gerenciam as bacias hidrográficas - são exemplos de ações de cooperação que dão certo porque garantem a qualidade da água para a comunidade. Porém, ele lembra, só cooperar não é suficiente. “Há série de outros fatores que resultam na qualidade às vezes insuficiente da água, por mais que haja cooperação. Sistema de saneamento, por exemplo”.
“Às vezes (a pessoa) pensa que água é um bem infinito, disponível, que nunca vai acabar. Mas a qualidade se altera e às vezes fica indisponível, impossível de ser consumida”, destaca Marco Neves. Segundo dados da Unesco, 85% da água usada mundialmente não é coletada ou tratada - em países em desenvolvimento, o índice pode chegar a 90%.
O professor Nilson Campos, membro do Comitê Brasileiro para Progresso Hidráulico Internacional da Unesco, avalia que, no semiárido, a situação de distribuição de água já não é mais o maior problema. Preocupa mesmo manter a qualidade dos reservatórios existentes. “Nos pequenos açudes, soltam o gado e, quando ainda tem água, deixam lixo. Estão, de alguma maneira, acabando com a água deles mesmos”, alerta. “Para aquela comunidade, cooperar significa preservar o recurso que é de todos eles”, cita Nilson Campos.
Para ele, “nos estados muito desenvolvidos, se usam água intensivamente e não dão o devido tratamento, eles estão tendo problema não é nem com falta d’água, é com a qualidade da água; é poluir água e precisar buscar água cada vez mais longe. E esse é o panorama preocupante”.
Poluição
Com a poluição ou a contaminação dos recursos hídricos, o ciclo hidrológico - sempre constante - perde parte de seu componente. Porque parte da água que antes precipitaria, se infiltraria, evaporaria, se condensaria e cairia novamente na terra em forma de chuva, perde-se no caminho graças ao descuido do homem no cotidiano, na indústria, na agricultura. 
“Não bastasse o problema da qualidade de agua natural, já que a nossa (do Ceará) água subterrânea é muito salobra, ainda tem problema da contaminação não apenas por culpa da comunidade, mas porque não tem saneamento básico, que é um serviço público. Ainda tem agrotóxico (usado na agricultura) que infiltra na terra e vai pro rio, temos o problema de carcinicultura, onde, depois que utilizam a água com seus produtos, jogam no rio”, enumera o engenheiro ambiental Thiago François Queiroz Lefebure.
Usar com rigor as leis ambientais que punem atos poluidores e educar para o trato com o meio ambiente são medidas importantes na quebra dessa corrente de descuido com a água, avalia Thiago. (Mariana Lazari) 
Saiba mais 
Fortaleza sediará, de 11 a 17 de novembro, a sexta edição do O² - Encontro Intercontinental Sobre a Natureza. Promovido pelo Instituto Hidroambiental Águas do Brasil (Ihab), o evento trata das questões da natureza, como clima, temperatura, energia e água. 
Segundo Clodionor Araújo, geólogo e presidente do Conselho Estratégico do Ihab, são esperados representantes da Unesco no encontro para uma apresentação dos resultados do Ano Internacional de Cooperação pela Água.
O evento ocorrerá no Centro de Eventos do Ceará. A programação ainda está sendo finalizada. Mais informações podem ser encontradas no site do Ihab (www.ihab.org.br)

domingo, 24 de março de 2013

No rastro do sangue, o vexame oficial( On the trail of blood, vexation official )


Em Fortaleza, o que já era ruim está piorando muito. Definitivamente, a violência assume patamares escandalosos. Desde o início do ano da graça de 2013, 444 pessoas foram assassinadas na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A cada santo dia, uma média superior a cinco homicídios. Nesse ritmo, chegaremos ao final do ano com mais de dois mil assassinatos.

Uma guerra fratricida. No ano passado, foram mortas 1.628 pessoas na antes pacata capital cearense. Uma média superior a quatro homicídios por dia. Já eram números assustadores e indecentes.

No rastro de sangue dos números de 2013, aflorou o vexame oficial. Ao ser confrontado com as estatísticas, o secretário da Segurança, Francisco Bezerra, reagiu da pior maneira possível. Ou seja, não assumiu nenhuma responsabilidade pela situação e ainda responsabilizou terceiros.

O secretário Bezerra culpa pelas mortes a ex-prefeita Luizianne Lins, que, segundo ele, não adotou políticas para contemplar os jovens, a sociedade, que não baixa a maioridade penal, e, claro, a imprensa, que comete o supremo abuso de “requentar (o assunto) todos os dias”.

Na reportagem do O POVO que expôs a tragédia, o diretor-adjunto da Divisão de Homicídios (DHPP), delegado Franco Pinheiro, não se esquivou das perguntas e foi ao ponto. Para começo de conversa, disse que cada um dos oito delegados dessa delegacia especializada cuida, em média, de 36,2 casos de homicídios.

É óbvio que um delegado não pode investigar 36 casos de assassinatos ao mesmo tempo. Dessa forma, perdura a impunidade. Na impunidade, o crime passa a ser um bom negócio. A ciranda da morte se fortalece.

Vejam mais essa declaração do delegado Franco: “Nossas investigações andam a passos curtos, apesar do volume dos investimentos feitos pelo Estado. Acredito que a forma de investir não foi a mais adequada... Muitas vezes temos que deixar um local de crime rapidamente e partir para outro”.

A avaliação do delegado, homem de dentro do aparelho de segurança, é surpreendente dentro de um Governo que engavetou o discurso da segurança pública desde o fatídico 3 de janeiro de 2012, dia em que Fortaleza parou e o Governo ficou rendido a uma greve ilegal de policiais.

Responsabilizar terceiros pelos acontecimentos é um sintoma clássico de uma política de segurança que está perdida, sem rumo. Não há respostas efetivas do Governo para combater o aumento dos índices de criminalidade. O Ronda envelheceu e foi engolido pela velha polícia.

O sonho de uma polícia comunitária ficou retido dentro das caríssimas Hilux, com seu ar-condicionado, seus bancos de couro e sua tração 4x4 que jamais será acionada. Um camburão de luxo.

HÁ BOAS POLÍTICAS DE SEGURANÇA. E HÁ RUINS
No inferno das boas intenções, foi posta em prática uma operação que, esta sim, reproduz experiências exitosas no combate à violência. Trata-se das blitze que uniu Prefeitura e Estado para fechar bares irregulares nos bairros mais violentos.

O mundo sabe que é nas imediações desses bares e em certas horas que ocorre a maioria dos crimes. Mais de 100 bares foram fechados. Todos irregulares e sem alvará de funcionamento. Mas, como garantir que no dia seguinte o local não voltou a funcionar como antes?

O fato é que esse tipo de operação é uma boa novidade que precisa ganhar dimensão como efetiva política de segurança pública. Até aqui, aparenta tratar-se de uma ação isolada e sem efetividade.

Outra novidade partiu do dirigente da Guarda Municipal de Fortaleza, o major Plauto de Lima. Suas declarações atingem o coração do discurso oficial. Como já nos acostumamos a ouvir, as drogas são apresentadas como o pivô quase que exclusivo da explosão de homicídios em Fortaleza.

Plauto vai ao ponto: “Morte por tráfico é pontual. Não é preponderante. Se fosse preponderante, Recife era para ter mais morte do que aqui; São Paulo era pra ter mais do que aqui; Rio de Janeiro era pra ter mais do que aqui... E eles estão diminuindo. Por quê?” Sim, São Paulo tem tanto ou mais problema de crack quanto Fortaleza. No entanto, os índices de homicídios de lá são cinco vezes menos que o nosso.
In Fortaleza, what was bad is getting worse too. Definitely, violence takes scandalous levels. Since the beginning of the year of grace 2013, 444 people were killed in the Fort of Our Lady of the Assumption. Every single day, an average of more than five homicides. At this rate, we will reach the end of the year with over two thousand murders.

A fratricidal war. Last year, 1628 people were killed before the sleepy capital of Ceará. An average of more than four homicides per day. Since numbers were frightening and nasty.

On the trail of blood the numbers 2013, touched on the official grievance. When confronted with the statistics, the Secretary for Security, Francisco Bezerra, reacted in the worst way possible. Ie not assume any responsibility for the situation and even blamed others.

The secretary Bezerra blame for the deaths the former mayor Luizianne Lins, who, according to him, has not adopted policies to include young people, society, that does not lower the age of criminal responsibility, and of course, the press, which commits the ultimate abuse " reheat (it) every day. "

In the story of THE PEOPLE who exposed the tragedy, the deputy director of Homicide (DHPP), delegate Franco Pinheiro, not dodged the questions and was to the point. For starters, said each of the eight precinct delegates this specialized care, on average, 36.2 homicides.

It is obvious that a delegate can not investigate 36 cases of murders while. Thus, impunity persists. In impunity, the crime becomes a good deal. A maelstrom of death grows stronger.

See more of this declaration delegate Franco: "Our investigations walking the short steps, despite the volume of investments made by the state. I believe the way to invest was not the most appropriate ... We often have to leave a crime scene quickly and move on to another. "

A review of the delegate man inside the security apparatus, it is surprising that within a Government shelved the discourse of public safety since the fateful January 3, 2012, the day he stopped Fortaleza and the Government was surrendered to a police strike illegal .

Blame third parties for events is a classic symptom of a security policy that is lost, aimlessly. There is no effective government responses to combat rising crime rates. The Ronda old and was swallowed by the old police.

The dream of a community police was retained within the expensive Hilux, with its air-conditioning, leather seats and its a 4x4 that will never be thrown. A luxury van.

THERE IS GOOD SECURITY POLICIES. AND THERE ARE BAD
In hell of good intentions, was put in place an operation, but this reproduces successful experiences in combating violence. These are the blitzes that joined City and State to close uneven bars in the most violent neighborhoods.

The world knows what is in the vicinity of these bars and at certain times it occurs most crimes. More than 100 pubs have closed. All irregular and without business licenses. But how to ensure that the next day the place has not returned to work as before?

The fact is that this type of operation is a good news that needs to gain size and effective public security policy. So far, it seems that this is an isolated and ineffective.

Another innovation came from the head of the Municipal Guard of Fortaleza, Major Plautus Lima. His statements touch the heart of the official discourse. As we have become accustomed to hearing, the drugs are presented as the pivot almost exclusively the explosion of murders in Fortaleza.

Plautus vai the point: "Death by traffic is punctual. There is preponderant. If it were predominant, Recife was to have more than death here; São Paulo was to have more than here, Rio de Janeiro was to have more than here ... And they are declining. Why? "Yes, São Paulo has as much or more crack problem as Fortaleza. However, homicide rates there are five times less than ours.



sexta-feira, 22 de março de 2013

21/03/2013Homem assalta van com escopeta

http://tv.diariodonordeste.com.br/video/policia/homem-assalta-van-com-escopeta/dc0801e837f41a38b6366e0ae825f0b9


quinta-feira, 21 de março de 2013

Palácio da Luz


Quem visita o antigo Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras e de outras congêneres, fica preocupado com situação do prédio. Há várias infiltrações e o prédio, de valor histórico, merecia um entorno – Praça dos Leões, sem tanto mau cheiro.  
A biblioteca do local, por exemplo, que abriga livros raros, precisa também de boa reforma.
(Foto – Paulo MOska)

Quebra de onibus


A partida entre Ceará e Fortaleza, no último domingo (17), pelo Campeonato Cearense, deixou um saldo negativo de 58 ônibus danificados. Até o fechamento do balanço feito pelo Sindiônibus, nesta segunda-feira (18), duas empresas de ônibus ainda não tinham repassado informações sobre a situação dos veículos.
De acordo com a assessoria do órgão, os carros tiveram para-brisas, janelas e luz interna, vidros das portas e alçapão (entrada de ar) quebrados. Os locais das ocorrências foram registrados no entorno do Castelão, terminal da Lagoa e avenidas Dedé Brasil, Leste Oeste, Perimetral e Maestro Lisboa.
Ainda de acordo com a assessoria do Sindiônibus, os dados são repassados para o comando da Polícia na tentativa de coibir as ações, para que os danos sejam minimizados nos jogos seguintes, reforçando que o dano maior não é o material e sim a segurança do trabalhador e do usuário.
Fortaleza e Ceará voltam a se enfrentar no Clássico-rei do dia 14 de abril, pela 11ª rodada da segunda fase do Estadual.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Iracema Guardiã sofre ato de vandalismo




Do leitor Wellington Sena recebemos o seguinte protesto:
Olha aí, Eliomar, o que já fizeram com a Iracema Guardiã, que vive sendo agredida. Agora é uma pichação bem em cima do traseiro da nossa índia, símbolo de todos os fortalezenses.
O pior, Eliomar, é que a 200 metros da estátua tem um trailer da Guarda Municipal, que saiu do Estoril e agora está instalado na entrada do espigão da João Cordeiro. Os guardas, que ficam lá até as 06 da manhã, parece que só dormem. Ou então fazem de conta que não veem nada.

Imparh continua operando a meio muro de proteção


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Enquanto o prefeito Roberto Cláudio (PSB) abria o ano letivo da rede pública municipal, nesta manhã de segunda-feira, ao lado do secretário Ivo Gomes (Educação), quem passava pelo Imparh, organismo que oferece cursos para servidores e que abriga o Centro de Línguas, continua sem muro desde o fim de dezembro último.
O patrimônio e os que trabalham e estudam no local ficam expostos. Espera-se que venha logo o reparo.
(Foto – Paulo Moska)

domingo, 17 de março de 2013

Rampa de lixo em calçada com painel ecológico


lixox
Essa verdadeira rampa estava sobre calçada da subestação da Coelce, na rua Silva Paulet, no bairro Aldeota, nesta tarde de sexta-feira. O curioso é que o muro foi pintado com um painel ecológico.
(Foto – Marcelo Aragão)

domingo, 10 de março de 2013

Moradores aguardam há 2 anos ligação com a rede de esgoto 10.03.2013


Para "burlar" a falta de saneamento, muitos optaram por ligações clandestinas com a rede de esgoto

O forte mal cheiro existente devido à água suja que escorre na rua é o responsável por não deixar ninguém se esquecer das condições de insalubridade em que os moradores vivem na Rua Frei Serafim, no bairro Parangaba FOTO: KLEBER A. GONÇALVES

De tanto conviver com o esgoto na porta de casa, moradores da Rua Frei Serafim, no bairro Parangaba, parecem ter se habituado com a situação. O forte mau cheiro, entretanto, é o responsável por não deixar ninguém se esquecer das condições de insalubridade em que vivem. O pedreiro Antônio Pimenta Filho, 45 anos, comenta que a obra de saneamento está pronta há mais de dois anos, mas denuncia que a ligação das casas com a rede de esgoto ainda não foi feita.

"A nossa situação é muito ruim. É um problema tão fácil de resolver. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) poderia estar ganhando dinheiro com essas ligações. Se elas estivessem funcionando, todo mundo estaria pagando, e os moradores não passariam por essa situação", destaca o morador.

Para "burlar" a falta de saneamento, muitos optaram por ligações clandestinas com a rede de esgoto da Cagece. O problema é que a rede está sobrecarregada, o que agravou a situação.

A costureira Lade Barbosa, de 48 anos, moradora há oito anos da Rua Frei Serafim, conta que já fez inúmeras reclamações junto à Cagece, mas ninguém apareceu para solucionar o problema. "É um descaso do poder público com a gente que chega a ser imoral", dispara. A moradora relata que, quando chove, a situação fica ainda mais crítica, pois o esgoto se mistura com toda a sujeira da rua.

Alerta

O professor do Departamento de Química e Meio Ambiente do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Gemmelle Oliveira Santos, afirma que uma obra de saneamento pronta, mas sem uso, é sinal de alerta para as Agências Reguladoras do Estado e de Fortaleza, já que não só aspectos econômicos estão envolvidos, mas, sobretudo, questões de saúde pública e ambiental. O professor esclarece que a interligação de uma residência com as instalações do sistema de esgotamento sanitário existente em uma rua geralmente acontece após o envio de uma comunicação por parte da Cagece convidando o cliente para fazer a interligação. Em uma outra situação, o próprio cliente pode solicitar por telefone ou em uma das lojas o serviço.

Um dos fatores que desestimula a adesão é que se o morador tiver que desativar uma fossa séptica para interligar sua residência ao sistema, é ele quem assumirá os custos para quebrar o piso. Uma forma de reverter isso, sugere o especialista, seria mostrar o quanto a interligação é importante para todos.

Em nota emitida pela Assessoria de Comunicação, a Cagece informa que uma equipe será enviada à Rua Frei Serafim nesta segunda-feira (11) para avaliar a demanda. O índice de cobertura de esgoto em Fortaleza é de 53,71%. De acordo com a Companhia, os investimentos previstos para este ano, em esgoto, são da ordem de R$ 155,2 milhões.

Na Capital, algumas obras de saneamento estão em andamento. Nos bairros Bom Sucesso, Vila Peri, Parque São José e Vila Manoel Sátiro. A obra de esgoto prevê investimento de R$ 20,4 milhões, beneficiando 54.917 moradores, por meio de 13.493 ligações prediais e 68.882 metros da rede coletora.

Nos bairros Dias Macêdo, Itaperi, Parangaba e Serrinha R$ 22,8 milhões são investidos na ampliação do sistema de esgoto, beneficiando 54.225 pessoas com 3.155 ligações e 102.046,16 metros de rede. Na Granja Portugal e Bom Jardim obras de esgotamento sanitário beneficiarão 27.367 moradores.

LUANA LIMA
REPÓRTER

domingo, 3 de março de 2013

Explosão da criminalidade


Em noticiário tragicamente recorrente no Estado – é assim com Cid Gomes, como foi com Lúcio Alcântara, Tasso Jereissati… – a área da segurança pública foi causa das principais crises dos quatro governadores abordados no livro de Saraiva. Na administração Faustino, o autor aponta como principal feito a criação da Rádio Patrulha – para a época “mais importante que o Ronda do Quarteirão”, aponta o livro. Ainda assim, a criminalidade cresceu. Assim como ocorreu na gestão de Raul Barbosa.
O alarmante saldo, conforme conta, foi de “mais de 100 mortes em todo seu governo”. Conforme O POVO mostrou nessa sexta-feira (1º), Fortaleza registrou 1.628 homicídios em 2012.
Raul saiu tão desgastado que foi o único governador a perder a eleição posterior para o Senado. No governo Paulo Sarasate, a situação chegou até a política: o secretário da Agricultura, Edilson Távora (UDN), entrou armado no plenário da Assembleia e atirou a queima-roupa no líder do PSD, Wilson Roriz, que discursava naquele momento. Com Parsifal Barroso, nem a imprensa escapou, com atentados da própria Polícia contra jornais e seus diretores. A ponto de terem passado a ser comuns revólveres e rifles nas redações.
O livro narra que o jornalista Jáder de Carvalho chegou a atirar acidentalmente contra o colega Francisco Fortaleza, mais tarde prefeito de Campos Sales, enquanto manuseava arma.
In tragic news appellant in state - so with Cid Gomes, as with Lúcio Alcântara, Tasso Jereissati ... - the area of public safety was the main cause of the crisis four governors discussed the book Saraiva. In the administration Faustino, the author points as main made ​​the creation of Radio Patrol - for the time "more important than the Round Quarter," says the book. Yet the increased crime. As occurred in the management of Raul Barbosa.
The alarming balance as account was "more than 100 deaths across his government." As PEOPLE showed this Friday (1st), Fortaleza 1628 homicides recorded in 2012.
Raul left so worn that was the only governor to lose election to the Senate later. In government Paulo Sarasate, the situation came to politics: the Secretary of Agriculture, Edilson Távora (UDN), entered the Assembly in plenary armed and shot point-blank in the PSD leader Roriz Wilson, who was speaking at the time. With Parsifal Barroso, not escaped the press, with their own police attacks against newspapers and their directors. The last point of having to be common handguns and rifles in newsrooms.
The book tells the journalist Jáder Oak came against accidentally shooting colleague Francisco Fortaleza, later mayor of Campos Sales, while fingered gun.

“O jovem disse que ganhava em um assalto o que ganho em um mês. No outro dia, ele tava morto”


sapateiro aldeota
Pouco antes das 7 horas, um homem de 57 anos varre a calçada no cruzamento da avenida Antonio Sales com a rua Coronel Linhares, no bairro Dionísio Torres. Em um dos locais mais caros de Fortaleza, José Maria Marques da Cunha, o Maurício, há 11 anos enfrenta com gosto a rotina.
“É o meu local de trabalho. Deixar a calçada limpa é a minha obrigação”, comenta para o Blog.
É isso, mesmo. Por mais de uma década, o “sapateiro da esquina”, como Maurício ficou conhecido entre os moradores de um dos bairros mais nobres da cidade, conserta calçados na rua. “Não falta trabalho para quem se dispõe a fazer alguma coisa. Mas tem muita gente que se acomoda na primeira dificuldade”, ressalta.
Morador do bairro Seis Bocas, o “sapateiro da esquina” é pai de nove filhos. “Meu maior orgulho é que não há nenhum malandro”, diz.
Ele conta que a clientela é quase toda dos grandes condomínios residenciais da região, mas também funcionários de muitas empresas do bairro. “As pessoas hoje não têm tempo a perder, por isso resolvem seus problemas de conserto de calçados comigo”, afirma orgulhoso.
Maurício garante que não se incomoda com o trabalho a céu aberto. “O importante é trabalhar com honestidade. Um dia, um jovem disse que não entendia porque eu trabalhava assim. Disse que ganhava em um assalto o que eu ganho em um mês. No outro dia, eu soube que ele havia sido morto em uma tentativa de assalto. A vítima reagiu e atirou nele”.

sexta-feira, 1 de março de 2013

“Violência transcende atuação da segurança pública”


FOTO: NAYANA MELO / O ESTADO
SARA OLIVEIRA
saraoliveira@oestadoce.com.br

Na Capital que tem 3,5 mil assassinatos, quase oito mil roubos e furtos de carros e 23 mil pessoas presas, em 2012, apenas 1,7% dos investimentos da Prefeitura Municipal foi direcionado à política de assistência social. No Grande Jangurussu, que possui 5.111 famílias vivendo em situação de extrema pobreza, existem apenas dois Centros de Referência de Assistência Social (Cras e Crea). Enquanto a Polícia reivindica punição aos jovens envolvidos com o crime, a sociedade pede garantias de direitos.
“A violência transcende a atuação da Secretaria da Segurança Pública [e Defesa Social-SSPDS]”, afirmou o titular da Pasta, coronel Francisco Bezerra. Segundo ele, esta mazela social é consequência da falta de “amparo” aos jovens nos últimos 15 anos, reforçada pela imputabilidade criminal aos menores de 18 anos. “Hoje, nós temos menores que são muito mais perigosos do que um adulto formado”, frisou o coronel, ressaltando, ainda, as ações da SSPDS no ano passado: 23 mil pessoas presas, 2.200 por tráfico de drogas e 5.400 por roubos; e seis mil armas apreendidas. 

A Assistência Social, que deve amparar indivíduos, incluindo crianças e adolescentes, vítimas de qualquer violência ou violação de direitos também pode ser representada por números. Conforme informações da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará (STDS), em 2012, o Crea Especializado de Fortaleza registrou 5.839 ocorrências, 18% sendo de violência física, 26% sobre negligência familiar e 20% de situação de risco (mendicância, ameaça de morte, exploração econômica e uso de drogas). Houve, ainda, 685 denúncias de violência sexual e 843 de violência psicológica.
JANGURUSSU DAS NECESSIDADES
“Assistência social deve ser, principalmente, o meio de a sociedade ser informada sobre seus direitos, e que eles sejam concretizados”, afirmou uma das fundadoras da Rede de Articulação do Jangurussu e Ancuri (Reajan), Joana D’arc da Silva. Entretanto, conforme ela, que também é líder comunitária dos bairros há 14 anos, o serviço social não consegue responder às reais demandas da sociedade. “Tem gente achando que o Bolsa Família substitui o emprego... ou que o Eca [Estatuto da Criança e do Adolescente] serve como incentivo à violência”, exemplificou.

Os dois bairros possuem cerca de 100 mil habitantes, distribuídos em nove comunidades, e possuem apenas dois Cras, um no Conjunto Palmeiras e outro no João Paulo II. “No papel, as políticas públicas de assistência social, que inclui estes equipamentos, são perfeitas. Mas não são aplicadas. Os Cras e o Crea são defasados, com pouco pessoal e equipamentos”, afirmou Joana. Os investimentos são poucos, apenas 1,7% das despesas totais da Prefeitura de Fortaleza, em 2012, foram direcionados à Assistência Social, totalizando R$ 78 milhões.
Combate ao trabalho infantil, cursos profissionalizantes para jovens e adultos, combate à violência domiciliar e aproximação dos serviços às comunidades são algumas ações sociais prioritárias, de acordo com a fundadora do Reajan. “Tudo é prioritário, porque há violação de quase todos os direitos básicos. Hoje, cobra-se deveres de quem não tem seus direitos garantidos”, avaliou Joana D’arc.
RESPONSABILIDADES E DIREITOS
Para o pesquisador do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e Violência da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Geovani Jacó, a entrada de jovens na criminalidade é reflexo da falta de políticas públicas de proteção juvenil. “Por isso não é certo atribuir o protagonismo da criminalidade aos jovens, principalmente porque a Polícia desconhece as causas sociais que produzem a violência”, avaliou. Ele reforça a atuação conjunta da assistência social e da segurança pública, porém, ressalta que, para a efetivação desta articulação, é preciso que haja espaço para o diálogo, mudando a concepção apenas militarista da Segurança.
“A transferência de responsabilidade não é justa, porque a Polícia atua num vazio de políticas de segurança efetivas”, acrescentou. Duas ações, de acordo com Geovani, devem ser fundamentais quanto à violência e os jovens que a compõem: combate ao narcotráfico e a garantia de assistência social a crianças e adolescentes em situação de drogadição.

“Os órgãos de segurança devem essa resposta à sociedade, mostrando quem são os grandes narcotraficantes e punindo-os. E a assistência social deve garantir os direitos àqueles que tornam-se vulneráveis. O jovem em drogadição precisa de reabilitação e não apenas ser marginalizado. Eles ainda não são autores da criminalidade e a única instituição que os vê é a da repressão, a Polícia”, analisou o pesquisador.